Explique o que foi a crise sucessória nas eleições de 1930 que levou a formação da aliança liberal e o lançamento da candidatura de Getúlio Vargas
Soluções para a tarefa
Para compreender a crise de 1930 é importante entender o contexto dos primeiros anos da república brasileira, que se inicia em 1889, marcado por muita exclusão social e autoritarismo, desde militares rígidos até oligarquias regionais (elites) na política nacional, logo uma política realizada extremamente distante das pessoas. Deixando operários (querendo melhores condições de trabalho), industriais (exigiam mais investimentos) e camadas médias urbanas (reclamavam da inflação e manutenção de seu estilo de vida) insatisfeitos com a situação excludente do país, percebemos que transformações sociais vinham ocorrendo e novos cenários eram apresentados que não eram contemplados nem por militares e nem por oligarcas no poder.
As oligarquias no poder se mostraram cada mais sem sentido, com constante fraudes nas eleições (1910, 1914, 1922) e práticas como a do “coronelismo e o voto de cabresto” (política de controle e manipulação de votos), dissidências dentro das elites começaram a ganhar força política para lançar candidatos. A cena política esquentou realmente quando o atual presidente Washington Luís (1926-1930), percebendo que esse acordo político entre as elites estava se desfazendo, e apoia à candidatura de Júlio Prestes para sua sucessão.
Deste modo o então governador de Minas Gerais, Antônio Carlos, que era o mais provável sucessor de Washington Luís, se alia com políticos da Paraíba e do Rio Grande do Sul, formando a chamada Aliança Liberal, para formar uma nova força política nas eleições de 1930, com Getúlio Vargas para presidente e João Pessoa como vice. Procurando unir todos os grupos insatisfeitos com a política brasileira, propôs: voto secreto, defender os direitos trabalhistas e anistia aos militares tenentistas.
Nas eleições de 1930, tanto a situação como a oposição
praticaram fraudes eleitorais, mas a vitória ficou com Júlio Prestes.
Inconformados com a derrota, a oposição começou a questionar ativamente a
legitimidade daquelas eleições, ao mesmo tempo que militares passaram a
conspirar contra o governo e, um fato inesperado, João Pessoa é assassinado por
um rival político. Tirando proveito da comoção popular, Vargas e seus aliados parte
para o Rio de Janeiro (então capital da república) dispostos a tomar o poder de
Washington Lúis e conseguem. Entregando o poder a Getúlio Vargas, que adota
medidas centralizadoras, diminuindo o poder das oligarquias (principalmente
paulistas), e destituindo governadores e colocando interventores, suspendendo a
Constituição de 1891, assume o comando do Poder Legislativo, fecha o Congresso
e as casas legislativas de todo o Brasil, eliminando qualquer contestação da
Justiça para seu governo.